E então, após uma curta conversa pelo msn, resolvi ligar. Queria ouvir sua voz, queria sentir seu pensamento em mim, queria dizer que estava pensando nela, mas ouvi, senti e disse muito mais que isso.
É meio estranho ouvir, logo de cara, "Tá maluco?!" Mas a culpa foi minha de não ter avisado. Não pude e não quis esperar. Precisava tanto de sua voz como as plantas precisam do sol.
Não pensei que a ligação se tornaria tão boa. A ligação telefônica mostrou outra ligação que compartilhamos. Algo que junta duas almas, sintoniza duas mentes...
Por mais que houvessem os momentos tristes, por causa da situação explanada na conversa, houveram os momentos bons, os momentos muito bons e momentos incríveis!
Ouvi sua voz, suas risadas, sua respiração, seu silêncio... Ouvi sua mente, senti seu calor, seu cheiro... Sim, pelo telefone! Eu consegui após algumas tentativas.
Lembrei momentos bons, momentos ruins. Lembrei muitos momentos! Os primeiros, os últimos, os sonhados...
Chorei, sorri, senti frio, calor... E senti seu amor! Senti que tudo foi mais do que imaginei. Nada do que já disse chega perto do que recebi. Não apenas na ligação, em todos os momentos.
A ligação era a respeito de tudo. De tudo que entreguei, de tudo que recebi, de tudo que fiz e não fiz, e do que foi feito a mim. Era a respeito de uma época em que, não importava o que acontecia, estávamos lá. Mesmo com os "nãos", os "não mais" e os "dessa vez é sério", continuamos até onde podíamos.
Me entreguei a algo que me fez crescer, me fez mudar. Me entreguei a alguém que me fez sonhar, me fez delirar. Fui seu por todo esse tempo.
Revelações...
Fiquei sabendo de coisas que nem imaginava. Tive a certeza de que fui alguém a mais e não apenas mais alguém. Soube que, por mais que fosse o mesmo bobo e estranho, fiz bem. Ah... e como me senti bem...
Soube que, no fim, nem tudo que eu tinha imaginado era ilusão. Meu medo não foi te perder, meu medo foi que eu não tivesse você, em nenhum dos momentos. Mas soube que meu medo que era a ilusão. Minha imaginação me enganava por meios que eu imaginava estarem certos.
Mas a ligação não foi apenas sobre o que passou. Foi sobre o que havia na hora. Naquele momento sublime em que uma alma toca a outra. Os fios da linha telefônica apenas simbolizavam a ligação que havia ali. Senti seu coração abraçado ao meu. Senti que você também sentia algo assim. Seus suspiros não negavam.
Ouvi coisas importantes. Que me fizeram esquecer a hora, esquecer onde estava... Fizeram meus olhos entregarem suas pérolas...
Disse "Eu te amo" como nunca pude dizer antes. Minha alma, meu espírito e meu corpo se juntaram para trazer à minha voz aquela energia, que seria capaz de iluminar galaxias, e entregar a você...
Quando ouvi "Eu te amo", tudo flutuou... A energia se tornou mais forte do que eu imaginava. A alma, o espiríto e o corpo, que estavam tão juntos, dançaram ao som da música mais linda do universo, tocada por um instrumento perfeito, criado pelo Ser Supremo.
Enfim... Provei, foi-me provado... Foi lindo...
Mas nem tudo acabou. Por mais que uma fase incrível, problemática e linda tenha terminado, continua uma amizade que não se acabará. Algo criado pelo que junta e ninguém separa.
Quero que você saiba que também sempre estará aqui. E eu estarei onde precisares, com meu coração, com meu carinho, com meu ombro, com meu sorriso... ("huf" =P)
Te amo.
P.S.: Eu só consegui desligar por volta de 4:30 da manhã... Meus pais não sabem... Pretendo fazer com que continuem sem saber... Espero que não me cobrem... Mas pagaria feliz todos os centavos que isso me custasse...
sábado, 24 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Papo Com a Lua
Conversei com a Lua esses dias. Ela disse que havia sonhado. Eu não sabia que a Lua sonhava. Mas também não sabia que ela podia conversar, então...
A Lua sonhou com um ser. Mais belo que ela. Ela, no primeiro momento, acreditou que estivesse sonhando com o Sol, seu amante eterno. Mas percebeu que o brilho desse ser era mais forte, mais vivo, mais humano! Sim, era um ser humano. E foi aí que ela percebeu que era um sonho. "Humanos não tem esse brilho", pensou.
Ao acordar para trabalhar, mais cedo que o normal, sentiu algo que chamava a sua atenção. Sem saber o que era, virou se a tempo de ver o brilho do seu sonho atenuando-se. Pensou em correr em sua direção! Mas não podia. Se atrasaria para o trabalho.
Passou toda aquela noite pensando naquele brilho. Seria mesmo de um ser humano? Seria isso possível? Ou estaria sonhando novamente? Pensou tanto que quase se esqueceu de seu amado, o Sol.
Percebendo a aflição de sua amante, o Sol perguntou o que havia. Ela lhe explicou tudo que ocorrera, com todos os detalhes. Mas o Sol, em sua força, robustez e altivez, não quis acreditar. Explicou à Lua que haviam poucas coisas que brilhavam mais que ele. E nenhuma delas era um simples ser humano.
A Lua, como amante incondicional, e confiante em seu amado, acreditou. Mesmo que ainda tivesse aquela linha de dúvida em seu coração.
No dia seguinte, enquanto dormia, teve o mesmo sonho. O mesmo ser lhe aparecia. Ela se sentia mais viva, brilhava mais... E então acordava, quase na hora do trabalho, mas a tempo de ver, novamente, aquele raio de brilho incomparável.
No outro dia, a mesma coisa. E no outro. No outro também. Até que começou a se atrasar para o trabalho. O sonho era tão bom que ela não sentia vontade de acordar. Até o dia que ela dormiu o dia inteiro e a noite também. Faltou ao trabalho.
O Sol preocupou-se. Não era normal que sua esposa faltasse ao trabalho. Então procurou-a e quis saber o motivo de tudo isso. Quase explodiu de raiva quando soube do motivo. A mesma coisa de brilho impossível a um ser humano. Foi trabalhar e acabou aquecendo muito o sudeste. Quem não trabalhou no dia, foi à praia. Quem trabalhou, ligou o ar-condicionado no máximo. Um bueiro estourou, pessoas passaram mal... Toda aquela coisa que acontece quando o Sol resolve se esquentar.
De noite, ao sair para trabalhar, a Lua estava meio deprimida, meio apagada... Eu, como gosto de observá-la, percebi. E em minha inocência pronunciei a pergunta "Por quê?"
Para meu espanto, a Lua respondeu! Começamos a conversar e ela logo me contou o que a afligia. Me disse também que sentia algo em mim que lembrava o ser brilhante. Esse foi o motivo de ter respondido. Ela sabia que eu a ajudaria.
Mas eu já tinha uma reposta para seu questionamento assim que começou a me contar o que havia:
- Eu conheço alguém que, para mim, brilha desse forma. Não sei se é a mesma pessoa, mas não custa tentar.
Ela logo se animou. Mas fiz com que me prometesse que continuaria trabalhando normalmente após conhecer esse alguém. Que não deixaria o Sol e que seria feliz enquanto existisse, mesmo sem poder seguir o ser dono do brilho.
Então marquei com ela numa noite, em uma praia legal, para que visse o ser. Fui então, naquela noite, com uma amiga minha a essa praia. Uma amiga conhecida de vocês.
E foi a primeira vez que vi a Lua chorar de emoção.
A Lua sonhou com um ser. Mais belo que ela. Ela, no primeiro momento, acreditou que estivesse sonhando com o Sol, seu amante eterno. Mas percebeu que o brilho desse ser era mais forte, mais vivo, mais humano! Sim, era um ser humano. E foi aí que ela percebeu que era um sonho. "Humanos não tem esse brilho", pensou.
Ao acordar para trabalhar, mais cedo que o normal, sentiu algo que chamava a sua atenção. Sem saber o que era, virou se a tempo de ver o brilho do seu sonho atenuando-se. Pensou em correr em sua direção! Mas não podia. Se atrasaria para o trabalho.
Passou toda aquela noite pensando naquele brilho. Seria mesmo de um ser humano? Seria isso possível? Ou estaria sonhando novamente? Pensou tanto que quase se esqueceu de seu amado, o Sol.
Percebendo a aflição de sua amante, o Sol perguntou o que havia. Ela lhe explicou tudo que ocorrera, com todos os detalhes. Mas o Sol, em sua força, robustez e altivez, não quis acreditar. Explicou à Lua que haviam poucas coisas que brilhavam mais que ele. E nenhuma delas era um simples ser humano.
A Lua, como amante incondicional, e confiante em seu amado, acreditou. Mesmo que ainda tivesse aquela linha de dúvida em seu coração.
No dia seguinte, enquanto dormia, teve o mesmo sonho. O mesmo ser lhe aparecia. Ela se sentia mais viva, brilhava mais... E então acordava, quase na hora do trabalho, mas a tempo de ver, novamente, aquele raio de brilho incomparável.
No outro dia, a mesma coisa. E no outro. No outro também. Até que começou a se atrasar para o trabalho. O sonho era tão bom que ela não sentia vontade de acordar. Até o dia que ela dormiu o dia inteiro e a noite também. Faltou ao trabalho.
O Sol preocupou-se. Não era normal que sua esposa faltasse ao trabalho. Então procurou-a e quis saber o motivo de tudo isso. Quase explodiu de raiva quando soube do motivo. A mesma coisa de brilho impossível a um ser humano. Foi trabalhar e acabou aquecendo muito o sudeste. Quem não trabalhou no dia, foi à praia. Quem trabalhou, ligou o ar-condicionado no máximo. Um bueiro estourou, pessoas passaram mal... Toda aquela coisa que acontece quando o Sol resolve se esquentar.
De noite, ao sair para trabalhar, a Lua estava meio deprimida, meio apagada... Eu, como gosto de observá-la, percebi. E em minha inocência pronunciei a pergunta "Por quê?"
Para meu espanto, a Lua respondeu! Começamos a conversar e ela logo me contou o que a afligia. Me disse também que sentia algo em mim que lembrava o ser brilhante. Esse foi o motivo de ter respondido. Ela sabia que eu a ajudaria.
Mas eu já tinha uma reposta para seu questionamento assim que começou a me contar o que havia:
- Eu conheço alguém que, para mim, brilha desse forma. Não sei se é a mesma pessoa, mas não custa tentar.
Ela logo se animou. Mas fiz com que me prometesse que continuaria trabalhando normalmente após conhecer esse alguém. Que não deixaria o Sol e que seria feliz enquanto existisse, mesmo sem poder seguir o ser dono do brilho.
Então marquei com ela numa noite, em uma praia legal, para que visse o ser. Fui então, naquela noite, com uma amiga minha a essa praia. Uma amiga conhecida de vocês.
E foi a primeira vez que vi a Lua chorar de emoção.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Teu som
Música para mim, tua voz. Invade meus poros e convida minhas células para um coreografia invejada pelos maiores bailarinos de todo o mundo. Eleva minha alma a um êxtase capaz de drenar minhas forças.
Sinto as notas do teu perfume, combinadas com a batida do teu coração, e deixo-me ir por entre as partituras do teu abraço.
Os acordes de teus cabelos fazem o acompanhamento para a melodia de teus olhos. O som do teu sorriso toca os tímpanos de meus olhos e os fazem bailar onde quer que vás.
Meu sangue pulsa na velocidade do teu compasso. Teu andamento me deixa calmo e eufórico, agitado e lento, como um turbilhão de paz.
As rimas do teu ser fazem meu cérebro funcionar de forma incrível, não dando espaço para que me esqueça de ti.
Sinto um arrepio quando percebo suas voltas e improvisos. Fico pensando no criador desta bela obra. Um ser tão perfeito que faz e apresenta suas músicas de modo tão lindo que me emociona a alma, o espírito e o corpo.
Como é bom poder te ouvir, te ver, te sentir, te tocar. É como se não houvesse mais silêncio. Como se tudo que existisse fosse só o teu som.
Explosão de alegria me ocorre quando soas em mim. Quando tuas notas fazem vibrar a minha alma. Sou um ouvinte ávido pelo seu desenrolar. Rio, choro e, principalmente, danço quando te ouço. Sim, danço, me balanço, me lanço de encontro às tuas ondas. E não me canso.
Me inspiras em meus sonhos. Sou levado por meio de asas sonoras e passo por suas nuvens musicais. O cheiro de teus graves, médios e agudos me inebria. "Música de preto. gosto tanto dela assim."
Como dizem, a música manifesta os sentimentos de quem a cria. Tu, dentre outros, demonstra, principalmente, o mais importante deles: o AMOR. O próprio Criador.
À Música, Musicista, Musa...
Sinto as notas do teu perfume, combinadas com a batida do teu coração, e deixo-me ir por entre as partituras do teu abraço.
Os acordes de teus cabelos fazem o acompanhamento para a melodia de teus olhos. O som do teu sorriso toca os tímpanos de meus olhos e os fazem bailar onde quer que vás.
Meu sangue pulsa na velocidade do teu compasso. Teu andamento me deixa calmo e eufórico, agitado e lento, como um turbilhão de paz.
As rimas do teu ser fazem meu cérebro funcionar de forma incrível, não dando espaço para que me esqueça de ti.
Sinto um arrepio quando percebo suas voltas e improvisos. Fico pensando no criador desta bela obra. Um ser tão perfeito que faz e apresenta suas músicas de modo tão lindo que me emociona a alma, o espírito e o corpo.
Como é bom poder te ouvir, te ver, te sentir, te tocar. É como se não houvesse mais silêncio. Como se tudo que existisse fosse só o teu som.
Explosão de alegria me ocorre quando soas em mim. Quando tuas notas fazem vibrar a minha alma. Sou um ouvinte ávido pelo seu desenrolar. Rio, choro e, principalmente, danço quando te ouço. Sim, danço, me balanço, me lanço de encontro às tuas ondas. E não me canso.
Me inspiras em meus sonhos. Sou levado por meio de asas sonoras e passo por suas nuvens musicais. O cheiro de teus graves, médios e agudos me inebria. "Música de preto. gosto tanto dela assim."
Como dizem, a música manifesta os sentimentos de quem a cria. Tu, dentre outros, demonstra, principalmente, o mais importante deles: o AMOR. O próprio Criador.
À Música, Musicista, Musa...
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sábado, 5 de junho de 2010
Pensamentos e Tormentos
Enquanto penso na incoerência dos meus atos, percebo que meus conceitos estão ficando fracos. Ou não. Fraco sou eu, o cara que errou e se arrependeu, mas mesmo assim não muda os erros que cometeu.
A vida é falha, os homens então... Tentando ganhar a medalha acabamos com o coração. Principalmente o nosso, que não mede mais esforços para encontrar, em meio a destroços, alguma razão para viver e obter tudo pelo que lutamos.
E é assim que acabamos nos encontrando em meio à tempestade, nos perdendo na vontade de fazer tudo certo, estamos bem perto mas erramos o alvo. É assim que se fica calvo.
Mas um dia a vida passa e arrasta nossa carcaça. Nos vemos levados pelo vento, consumidos pelo tempo que um dia esperamos, que com ele sonhamos e que agora estamos lamentando. E a vida segue andando.
Seguimos sem noção, procurando compreensão nos golpes do destino. E cantamos um hino a tudo aquilo que acreditamos, sonhamos e procuramos. Para que amanhã possamos gritar "Encontramos!"
A vida é falha, os homens então... Tentando ganhar a medalha acabamos com o coração. Principalmente o nosso, que não mede mais esforços para encontrar, em meio a destroços, alguma razão para viver e obter tudo pelo que lutamos.
E é assim que acabamos nos encontrando em meio à tempestade, nos perdendo na vontade de fazer tudo certo, estamos bem perto mas erramos o alvo. É assim que se fica calvo.
Mas um dia a vida passa e arrasta nossa carcaça. Nos vemos levados pelo vento, consumidos pelo tempo que um dia esperamos, que com ele sonhamos e que agora estamos lamentando. E a vida segue andando.
Seguimos sem noção, procurando compreensão nos golpes do destino. E cantamos um hino a tudo aquilo que acreditamos, sonhamos e procuramos. Para que amanhã possamos gritar "Encontramos!"
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
O Retorno do Rei Dragão
Acordei. E o que vejo me deixa furioso: toda a cidade jaz em cinzas. O que aconteceu com tudo? Quem foi o responsável por isso?
Enquanto ando, vou catando os pedaços do que havia. Tudo aquilo que um dia fez deste lugar um aconchego, está destroçado. Parece que se passaram vários anos, mas sei que isso é trabalho de apenas alguns meses.
Enfim, encontro o responsável por isso:
- O que houve por aqui?
- Não sei... Acho que me deixei levar... Eu sei que a culpa é minha...
- Exatamente! Por que você tem que ser assim tão frágil?
- Eu me deixei enganar... Deveria ter parado e lutado enquanto podia... Mas decidi acreditar no que não devia...
- Agora você terá que dormir e deixar tudo sob meu comando. Te chamarei se precisar.
Ele vai para um canto e se prepara para dormir. Sei que isso vai demorar. E enquanto demora, ele me atrapalha.
Começo agora a reconstruir toda a estrutura do que um dia foi uma bela fortaleza. Nada a abalava. Até deixá-lo tomar conta. Eu sabia que não deveria ter dormido. Mas precisava.
Aliás, a terra precisava. Enriquecimento do solo, troca das águas, e mais: tudo que está aqui destruído, e todas as marcas que foram deixadas, servirão para deixar o lugar mais forte.
Não será a mesma coisa de antigamente. Será melhor. Uma fortaleza mais bela e forte. A casa mais bela que alguém já pode ter visto.
Sim, a reconstrução será difícil. Há muito para fazer. Mas não não é impossível. Já fiz isso várias vezes. Em todas elas fiquei mais forte. Mais preparado para a próxima. E é assim que vai ser.
Como é bom estar de volta.
Ele ainda não dormiu. Mas vou deixá-lo assim. Melhor para ele. Para que também se torne mais forte. Um dia reinaremos em harmonia, em equilíbrio, como fomos criados. Nesse dia tudo estará em equilíbrio. As terras frias e as quentes se entenderão. Flores não terão problemas em nascer em meio à neve. Como anseio por esse dia!
Mas, por enquanto, reconstruirei o que deve ser reconstruído. Lançarei no fogo o que deve ser esquecido. Guardarei as relíquias. Limparei a casa. O equilíbrio não chegou, mas está próximo.
Continuo trabalhando para Nosso Mestre. Ele sabe o motivo de todas as coisas. Mesmo as ruins. E tudo isso é para nosso bem.
Enquanto ando, vou catando os pedaços do que havia. Tudo aquilo que um dia fez deste lugar um aconchego, está destroçado. Parece que se passaram vários anos, mas sei que isso é trabalho de apenas alguns meses.
Enfim, encontro o responsável por isso:
- O que houve por aqui?
- Não sei... Acho que me deixei levar... Eu sei que a culpa é minha...
- Exatamente! Por que você tem que ser assim tão frágil?
- Eu me deixei enganar... Deveria ter parado e lutado enquanto podia... Mas decidi acreditar no que não devia...
- Agora você terá que dormir e deixar tudo sob meu comando. Te chamarei se precisar.
Ele vai para um canto e se prepara para dormir. Sei que isso vai demorar. E enquanto demora, ele me atrapalha.
Começo agora a reconstruir toda a estrutura do que um dia foi uma bela fortaleza. Nada a abalava. Até deixá-lo tomar conta. Eu sabia que não deveria ter dormido. Mas precisava.
Aliás, a terra precisava. Enriquecimento do solo, troca das águas, e mais: tudo que está aqui destruído, e todas as marcas que foram deixadas, servirão para deixar o lugar mais forte.
Não será a mesma coisa de antigamente. Será melhor. Uma fortaleza mais bela e forte. A casa mais bela que alguém já pode ter visto.
Sim, a reconstrução será difícil. Há muito para fazer. Mas não não é impossível. Já fiz isso várias vezes. Em todas elas fiquei mais forte. Mais preparado para a próxima. E é assim que vai ser.
Como é bom estar de volta.
Ele ainda não dormiu. Mas vou deixá-lo assim. Melhor para ele. Para que também se torne mais forte. Um dia reinaremos em harmonia, em equilíbrio, como fomos criados. Nesse dia tudo estará em equilíbrio. As terras frias e as quentes se entenderão. Flores não terão problemas em nascer em meio à neve. Como anseio por esse dia!
Mas, por enquanto, reconstruirei o que deve ser reconstruído. Lançarei no fogo o que deve ser esquecido. Guardarei as relíquias. Limparei a casa. O equilíbrio não chegou, mas está próximo.
Continuo trabalhando para Nosso Mestre. Ele sabe o motivo de todas as coisas. Mesmo as ruins. E tudo isso é para nosso bem.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Não Morno.
Será que saio daqui triste? Ou feliz? Confuso, talvez? Acho que saio frio.
O ar gelado do ambiente invade-me as narinas, se move até os pulmões e, ali por perto, começa a criar uma bola vermelha de gelo. Não sinto mais aquela pulsação. De alguma forma, meu calor é levado pelo tempo, que, mesmo não sendo dos mais belos, cumpre seu desígnio.
Enquanto permaneço aqui, meu cérebro também começa a ser afetado. Perdendo o calor e a luz que havia nos meus pensamentos, começo a parar de pensar.
Parece a morte. Aquela indolor e silenciosa, mas fria.
Algo chama a minha atenção. Olho, e é como o sol. É uma estrela. Seu brilho e seu calor me tocam. Por mais que esteja distante, ainda sinto seus efeitos.
Um sorriso começa a se formar em meu rosto. Meus olhos ganham uma pequena faísca.
Aquela estrela, que está lá longe, me aquece. Começo a derreter por dentro. Meus pensamentos começam a florescer. Mas ela continua lá. Não se aproxima, não deixa que eu me aproxime. Mas está lá.
Sei que não a alcançarei, nem terei a chance de me banhar na plenitude de suas chamas, mas fico feliz em saber que a estrela lança alguns poucos raios em minha direção.
Estou melhor. Meu coração trabalha, meu sangue se move.
Mas o frio está ali. Me olhando. Esperando que a estrela se esqueça e não mais me aqueça.
O ar gelado do ambiente invade-me as narinas, se move até os pulmões e, ali por perto, começa a criar uma bola vermelha de gelo. Não sinto mais aquela pulsação. De alguma forma, meu calor é levado pelo tempo, que, mesmo não sendo dos mais belos, cumpre seu desígnio.
Enquanto permaneço aqui, meu cérebro também começa a ser afetado. Perdendo o calor e a luz que havia nos meus pensamentos, começo a parar de pensar.
Parece a morte. Aquela indolor e silenciosa, mas fria.
Algo chama a minha atenção. Olho, e é como o sol. É uma estrela. Seu brilho e seu calor me tocam. Por mais que esteja distante, ainda sinto seus efeitos.
Um sorriso começa a se formar em meu rosto. Meus olhos ganham uma pequena faísca.
Aquela estrela, que está lá longe, me aquece. Começo a derreter por dentro. Meus pensamentos começam a florescer. Mas ela continua lá. Não se aproxima, não deixa que eu me aproxime. Mas está lá.
Sei que não a alcançarei, nem terei a chance de me banhar na plenitude de suas chamas, mas fico feliz em saber que a estrela lança alguns poucos raios em minha direção.
Estou melhor. Meu coração trabalha, meu sangue se move.
Mas o frio está ali. Me olhando. Esperando que a estrela se esqueça e não mais me aqueça.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Na Praça
O som do córrego enche meus olvidos
A beleza das árvores e flores enche os meus olhos
Amo estar neste lugar tão querido
Um dia, estes serão apenas meus espólios
A menina corre atrás da borboleta
O menino se diverte no balanço
Cantando uma música sem letra
Parece até que não me canso
Observo os cães e cadelas
Correndo e pulando
Como moços e donzelas
Vão eles se amando
Observo um moço e uma donzela
Bebendo e caindo
Como um cão e uma cadela
Vão eles se agredindo
Chega alguém para apartar
Pra este acaba sobrando
Chega um policial para abrandar
E os três, em cana vão entrando
Confusão resolvida
Continuo observando
Antes da minha partida
As vidas vou retratando
Sobre a minha pouco falo
Não que não seja interessante
Mas ela é cheia de calos
E lembrá-la se torna agoniante
Prefiro falar sobre as coisas belas
Sobre as coisas que outros não veem
Como o sol batendo nas vielas
Mostrando o brilho que elas têm
Enfim, por hoje vou me despedindo
Me alimentar com o que ganhei de um amigo
Daqui a pouco estarei dormindo
E a lua, no céu, também estará comigo.
A beleza das árvores e flores enche os meus olhos
Amo estar neste lugar tão querido
Um dia, estes serão apenas meus espólios
A menina corre atrás da borboleta
O menino se diverte no balanço
Cantando uma música sem letra
Parece até que não me canso
Observo os cães e cadelas
Correndo e pulando
Como moços e donzelas
Vão eles se amando
Observo um moço e uma donzela
Bebendo e caindo
Como um cão e uma cadela
Vão eles se agredindo
Chega alguém para apartar
Pra este acaba sobrando
Chega um policial para abrandar
E os três, em cana vão entrando
Confusão resolvida
Continuo observando
Antes da minha partida
As vidas vou retratando
Sobre a minha pouco falo
Não que não seja interessante
Mas ela é cheia de calos
E lembrá-la se torna agoniante
Prefiro falar sobre as coisas belas
Sobre as coisas que outros não veem
Como o sol batendo nas vielas
Mostrando o brilho que elas têm
Enfim, por hoje vou me despedindo
Me alimentar com o que ganhei de um amigo
Daqui a pouco estarei dormindo
E a lua, no céu, também estará comigo.
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